No texto de Ferreira Gullar, Teoria do Não-Objeto, ele introduz a ideia de não-objeto definindo-o como algo que é uma pura aparência. Em seguida, o texto divide-se em em 4 capítulos:
Morte da Pintura: Antes do surgimento da abstração, os pintores figurativos como Maurice Denis e Monet, já a anunciavam. Ao sair dos ateliês e passar a tomar o ar livre como espaço de criação, os pintores dessa época davam muito mais valor às luzes e cores do que às representações fiéis do que estava sendo retratado. “O quadro, como objeto, ganhava importância”, afirma Gullar. No cubismo, os artistas tentam se aproximar ainda mais da abstração, representando imagens através de formas geométricas, porém tal processo ainda era muito figurativo. O autor então cita Mondrian, que tenta chegar à abstração através dos planos horizontais e verticais com linhas pretas os dividindo, mas continua se deparando com o problema do objeto (da figuração). O pintor então faz dois últimos trabalhos nos quais ele elimina completamente as linhas pretas e fica somente com os pixels nas cores primárias, porém ainda não conseguindo atingir corretamente o não-objeto.
Obra e Objeto: Quando a obra para de ser uma simples ficção como era na pintura clássica, a moldura que “guardava” os quadros em seus próprios universos ficcionais perde o sentido. A arte sente a necessidade de substituir a ficção pela realidade. Também na escultura, o cubismo permeia a criação dos artistas, na mesma luta contra o objeto. O objetivo final desse movimento é criar um objeto que seja por si só, e não algo que represente outro objeto já existente.
Formulação Primeira: Nesse capítulo, o autor afirma que toda obra tende a ser um não-objeto, porém esse termo só se aplica corretamente àquelas que fogem dos limites convencionais da arte, com um “deslimite”, termo usado no texto.
Diálogo sobre o Não-Objeto: Por fim, Ferreira Gullar encerra sua discussão com um diálogo, composto por dois personagens (acredito eu que os dois sejam “ele”), no qual fica bem clara a ideia que ele quer nos passar acerca do conceito de não-objeto. Ele define objeto como a coisa material tal como se dá a nós, naturalmente, ligada às designações e usos cotidianos; e não-objeto como aquilo que não se esgota nas referências de uso e sentido porque não se insere na condição do útil e da designação verbal. O escritor também afirma que a natureza morta ainda não é um não-objeto porque representa algo, enquanto um não-objeto não é uma re-presentação, mas uma presentação.
E os esquematiza desse modo: objeto → objeto representado → não-objeto
Também afirma que mesmo Mondrian e Malevitch não atingiram o não-objeto, pois sua pintura mesmo que não-figurativa continuou sendo a representação de algo. Outro ponto trazido, é que os não-objetos não dependem de moldura nem de base (caso sejam esculturas) para existir, fazendo assim com que essas percam o sentido. E no universo das palavras, um poema é um não-objeto no momento em que uma palavra isolada carrega em si mesma toda a sua carga.
O autor no final do texto afirma que não está ditando como deve ser o não-objeto, mas apenas afirmando o que já existe. "O que a sua ação produz é a obra mesma, porque esse uso, previsto na estrutura da obra, absorvido por ela, revela-a e incorpora-se a sua significação." O não-objeto depende do espectador para ser mais que apenas uma potência, mas não para existir ou ter sentido.
Durante o texto, Gullar cita diversos artistas, e até mesmo faz comparações entre eles.
Posteriormente surgem as Telas Cortadas de Fontana, que saíam do plano ficcional com um corte feito na realidade, sempre na tentativa de sair da representação e ir para a presentação:
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